A pandemia de COVID-19 trouxe à tona a importância da saúde respiratória e o papel fundamental do médico otorrinolaringologista no diagnóstico, tratamento e reabilitação dos pacientes. Como otorrino, recebi muitas dúvidas sobre os sintomas, a prevenção e os mitos que cercam a doença. Neste artigo, reúno as informações mais relevantes para ajudar você a entender melhor a relação entre o coronavírus e a nossa especialidade.
Quais os sintomas otorrinolaringológicos da COVID-19?
Desde o início da pandemia, ficou claro que o SARS-CoV-2 não afeta apenas os pulmões. As vias aéreas superiores são a porta de entrada do vírus, e os sintomas otorrinolaringológicos estão entre os mais comuns e precoces:
- Perda ou alteração do olfato (anosmia/hiposmia): um dos sintomas mais característicos e por vezes o único.
- Perda ou alteração do paladar (ageusia/disgeusia): frequentemente associada à anosmia.
- Obstrução nasal e coriza: pode ser confundida com rinite ou sinusite.
- Dor de garganta: geralmente leve a moderada.
- Tosse seca: sintoma respiratório clássico.
- Tontura ou vertigem: em alguns casos, o vírus pode afetar o sistema vestibular.
É muito comum que pacientes cheguem ao consultório com a suspeita de uma crise de rinite alérgica ou sinusite e, após a avaliação, descubram que se trata de COVID-19. Por isso, a avaliação médica é essencial.
Perda de Olfato e Paladar: Um Marco da Doença
A anosmia foi um dos sintomas mais marcantes dessa pandemia. O vírus SARS-CoV-2 tem a capacidade de infectar as células de suporte do epitélio olfatório, causando uma inflamação local que bloqueia a passagem dos odores. Na maioria dos casos, o olfato retorna em algumas semanas, mas alguns pacientes podem ter uma recuperação mais lenta, evoluindo com hiposmia persistente.
Para esses casos, a olfatoterapia (treinamento olfatório) é a principal aliada. O exercício consiste em cheirar óleos essenciais ou substâncias com odores fortes (café, cravo, limão, canela) por alguns minutos, duas a três vezes ao dia, estimulando a regeneração neural. Associar a lavagem nasal com soro fisiológico também ajuda na higiene e na redução da inflamação local.
📄 Leia também: Publiquei um artigo específico sobre os benefícios da lavagem nasal no combate à infecção pelo coronavírus. Clique aqui para acessar!
Rinite Alérgica é Fator de Risco para Infecção por COVID-19?
Essa é uma das perguntas que mais recebo no dia a dia. A rinite alérgica, por si só, não é considerada um fator de risco para formas graves de COVID-19. No entanto, o hábito de coçar o nariz e a respiração oral (comum em pacientes com obstrução nasal crônica) podem facilitar a entrada do vírus.
Manter a rinite controlada com o tratamento adequado (anti-histamínicos, corticoides nasais e lavagem nasal) é fundamental para a saúde respiratória, especialmente em tempos de pandemia. A mucosa nasal saudável é nossa primeira barreira de defesa contra agentes infecciosos.
💡 Saiba mais: Tenho um artigo completo sobre a relação entre rinite alérgica e COVID-19. Confira aqui!
Mitos e Verdades sobre a COVID-19
Como médica, acredito que a informação de qualidade é a melhor ferramenta de prevenção. Separei alguns mitos e verdades que circulam sobre o coronavírus:
- 🤔 Mito: Andar descalço pega gripe ou COVID-19. — Isso não tem qualquer comprovação científica.
- 🤔 Mito: Antialérgico engorda. — A maioria dos anti-histamínicos modernos não causa ganho de peso significativo.
- ✅ Verdade: O uso correto de máscaras reduz a transmissão do vírus. (Veja meu guia sobre máscaras)
- ✅ Verdade: A vacinação é a principal forma de prevenção contra as formas graves da doença.
- 🤔 Mito: Medicamentos caseiros ou chás previnem ou curam a COVID-19. — Não existe comprovação científica.
- ✅ Verdade: A lavagem nasal regular ajuda a reduzir a carga viral e aliviar os sintomas respiratórios.
Perguntas Frequentes (FAQ)
Reuni aqui as principais dúvidas que chegam até o meu consultório e redes sociais:
🔹 O que fazer se eu perder o olfato (anosmia)?
Procure um otorrinolaringologista para avaliação clínica e orientação. Inicie o treinamento olfatório (olfatoterapia) em casa com cheiros fortes (café, cravo, limão, canela) por 10-15 segundos cada, duas vezes ao dia. Associe a lavagem nasal com soro fisiológico 0,9% para ajudar na higiene nasal.
🔹 Lavagem nasal ajuda a prevenir a COVID-19?
A lavagem nasal não substitui a vacinação e o uso de máscaras, mas é um excelente adjuvante. Ela ajuda a reduzir a carga viral nas mucosas nasais, melhora a depuração mucociliar e alivia os sintomas de obstrução e secreção. É um hábito seguro e recomendado para todas as idades, desde que feito com soro fisiológico estéril.
🔹 Rinite alérgica piora a COVID-19?
A rinite alérgica por si só não é um fator de risco comprovado para formas graves da doença. No entanto, o hábito de coçar o nariz e a respiração oral podem facilitar a entrada do vírus. Manter a rinite controlada é fundamental para a saúde respiratória.
🔹 Posso tomar a vacina contra a COVID-19 se estiver com crise de rinite?
Sim. A crise de rinite alérgica não contraindica a vacinação. O ideal é informar o profissional de saúde no momento da vacinação para que ele avalie.
🔹 Crianças podem ter perda de olfato pela COVID-19?
Sim, embora seja menos comum do que em adultos. Em crianças, os sintomas mais frequentes são febre, tosse, coriza e sintomas gastrointestinais. Fique atento e consulte um pediatra ou otorrinopediatra se seu filho apresentar sintomas respiratórios persistentes. (Veja meus cuidados para crianças durante a pandemia)
🔹 Como diferenciar COVID-19 de sinusite?
A sinusite geralmente cursa com dor de cabeça intensa na região da face, secreção nasal espessa e amarelada/esverdeada e sensação de pressão nos seios da face. Já a COVID-19 apresenta sintomas sistêmicos como febre, cansaço, dores no corpo e a perda súbita de olfato/paladar, que é um sinal de alarme para a infecção viral.
Conclusão
A pandemia de COVID-19 nos ensinou a importância de cuidar da saúde respiratória de forma integrada. O otorrinolaringologista é um profissional chave no manejo dos sintomas, no diagnóstico diferencial e na reabilitação de sequelas como a perda de olfato.
Manter a vacinação em dia, usar máscaras em locais fechados quando necessário, higienizar as mãos e cuidar da saúde nasal com lavagem de soro fisiológico são medidas que vieram para ficar e que protegem contra uma série de doenças respiratórias.
Se você está com sintomas otorrinolaringológicos persistentes ou quer saber mais sobre como cuidar da sua saúde, agende uma consulta. Sua Otorrino do coração está aqui para cuidar de você e de toda a sua família! 💜